Notas de laboratório
Coletar menos, coletar melhor
Coleta ética começa com uma pergunta: que decisão esse dado vai apoiar? Se não há resposta, não colete.

Existe a crença de que quanto mais dados, melhor. Na prática, coleta sem propósito gera custo, risco jurídico e bases que ninguém consegue tratar.
A LGPD já aponta o caminho com o princípio da necessidade: coletar apenas o mínimo para a finalidade declarada. Esse princípio também é boa engenharia.
Uma pergunta antes de cada campo
Antes de adicionar um campo, um sensor ou uma coluna, perguntamos: que decisão esse dado vai apoiar, e quem vai tomá-la? Se a resposta for vaga, o campo sai.
- Finalidade declarada: a pessoa sabe por que o dado é coletado.
- Minimização: se o dado agregado responde, não se coleta o individual.
- Privacidade desde o projeto: anonimização e acesso entram no desenho.
- Tratamento documentado: cada transformação fica registrada e pode ser refeita.
Tratamento é onde a confiança nasce
Limpar, padronizar e cruzar bases é o trabalho menos visível de um projeto de dados. É também o que define se o indicador no fim é confiável.
Um pipeline rastreável responde, a qualquer momento, de onde veio um número e o que foi feito com ele.
Tecnologia que respeita pessoas começa pelo que ela escolhe não saber.
Coletar menos não é fazer menos. É fazer com intenção e entregar uma base menor, mais limpa e pronta para decidir.